A Dualidade da Forma

Filipe Martins, Moisés de Lemos Martins, Jean-Martin Rabot

Resumo


A forma pode medir-se por oposição à matéria ou por oposição ao conteúdo. Na dicotomia forma-conteúdo, a forma atua como base estrutural. Na dicotomia matéria-forma, pelo contrário, ela corresponderá a uma formatação ou remate, independentemente de a entendermos no sentido platónico (eidos), aristotélico (morphé), gestaltista, etc. Tais dicotomias podem combinar-se para revelar a forma enquanto entidade dual, equiparável ao signo. Este entendimento estereoscópico da forma, por sua vez, poderá servir-nos para o aprofundamento de uma abordagem pós-metafísica da fenomenologia, ocupando aí a mesma função que o signo ocupa na semiologia académica.
No enquadramento pós-metafísico da fenomenologia, os fenómenos aparecem dessubstanciados. Em boa medida, foi esse o grande veredicto de Derrida contra Husserl. Mas o fenómeno não se reduziu ao mero
formalismo, tal como o signo não se esgota no plano da sintaxe. Ao mesmo tempo que se libertou da metafísica, a fenomenologia assumiu uma vocação claramente semiológica (e também hermenêutica), possibilitando o paralelismo entre o signo e a forma fenomenológica. O fenómeno reúne em si a dualidade da forma.

Palavras-chave


Matéria; conteúdo; formalidade; formatividade; fenómeno

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