Universidade do Minho (Braga)
28 e 29 de Outubro 2010    

O título do colóquio remete-nos para dois tópicos da maior relevância nas ciências sociais: o trabalho e as técnicas, sublinhando nomeadamente as questões em torno da centralidade do trabalho e da dimensão social da técnica. Considerando os três pilares da ciência – a matéria, a vida e o conhecimento –, é hoje uma evidência que, independentemente dos diversos olhares sobre o trabalho e as técnicas, estas vieram revolucionar os modos de trabalhar e de viver, reintegrar os processos manuais e mentais na automatização e diminuir a penosidade de certas tarefas na cadeia produtiva – sem que se possa falar de uma redução do carácter monótono e/ou alienante do trabalho. Daqui resultam alterações profundas nos processos produtivos e nos usos da força de trabalho, com a destruição, a criação e a reconfiguração de tarefas, posições e identidades laborais.

As estruturas e dinâmicas da globalização e sua intensidade não seriam compreensíveis sem se considerar a centralidade do trabalho, o papel primacial da tecnologia e das mais diversas técnicas no mundo contemporâneo. Não há efeitos homogeneizantes das novas tecnologias, uma vez que a automatização segmenta e dualiza sectores laborais e trabalhadores. As novas tecnologias, presentes na produção e circulação de bens e serviços, a par dos seus efeitos positivos de compressão do espaço-tempo, circulam como mercadorias e, como tal, reproduzem, nos seus fluxos, assimetrias que afectam países e classes sociais mais desprovidos de recursos. Potenciais “máquinas” de produção da mudança, com implicações nos diversos campos societais, as técnicas não só podem desencadear formas de resistência, como suscitam questões éticas e políticas decorrentes dos riscos suscitados pela sua utilização.

Problematizar o trabalho e a técnica à luz de perspectivas sociológicas e antropológicas constitui o principal objectivo deste colóquio. (mais informação)